Carros de bois puxados por homens

Construção da igreja matriz 
da Gafanha da Nazaré

«A capela que servia toda a Gafanha e que se situava no lugar da Chave era muito pequena pois tinha somente uns 20 metros de comprimento por oito de largura. Muito antes das missas já ela se encontrava repleta e o senhor prior, algumas vezes, tinha dificuldades em passar para abrir a porta.
O povo da Marinha Velha era o mais sacrificado pois, no inverno, tinha de passar maus caminhos. Mas posso dizer-lhe que o temporal não impedia que todos comparecessem. O povo de há 50 anos [com referência ao ano da entrevista] cumpria escrupulosamente os seus deveres religiosos e ainda me lembro de ver homens a caminho da igreja, descalços, de calças arregaçadas e de gabão pelos ombros.
Foi na Marinha Velha que nasceu a ideia da nova igreja e lá se formou a comissão que ficou assim constituída: António Ribau, Manuel Joaquim Ribau, Manuel José Ribau, João Maria Casqueira, João Pata Novo e António Pata. O terreno foi oferecido pelos senhores António Ribau e João Maria Casqueira.
Os mestres foram os senhores Joaquim Conde, Lázaro Conde, Paulino Conde e José Lopes Conde.
Não havia dinheiro para começar as obras, mas o senhor Manuel Ribau Novo prometeu arranjá-lo e conseguiu.
Emprestou algum o senhor Inocêncio Esteves, pai do senhor Alfredo Esteves, este mais conhecido do povo da Gafanha.
Para terminar, por hoje, só lhe quero contar um pormenor que mostra os sacrifícios que passámos e o amor e o entusiasmo com que nos entregámos à obra.
A pedra para os alicerces vinha de Eirol e era descarregada na Cambeia (portas d’água) pois vinha de barco e dali era transportada em carros de bois puxados por homens. Não se admire porque nesse tempo os lavradores vendiam os bois em janeiro e só em maio voltavam a comprá-los.»

João Catraio, em entrevista ao “Timoneiro”

Fernando Martins

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