Grupo de Dança Pestinhas

23 anos ao serviço da dança, 
da cultura e da ocupação de tempos livres




O Grupo de Dança Pestinhas, da Gafanha da Nazaré, fundado há 23 anos, nasceu de um sonho de Helena Manuela, porque gostava de dançar e achava que faltava uma instituição desta natureza na nossa terra. Do sonho, saltou para a realidade com «oito miúdas, entre os cinco e os 18 anos, numa garagem, com música gravada em cassete». E a primeira atuação, diz-nos a fundadora e diretora, foi numa festa da catequese. Na altura, recorda, «o grupo apresentou uma dança aeróbica, com ritmo usual há 23 anos».

Helena Manuela desfia recordações com o entusiasmo de quem sente com alma esses tempos da fundação, frisando que «os aplausos da primeira participação foram tantos que nos estimularam a continuar». Até hoje, salienta.

Começou com meninas, mas de vez em quando têm surgido alguns meninos que, entretanto, desistem, porventura por não se sentirem tão à vontade. O grupo começa a evoluir e as atuações tornam-se mais frequentes, sobretudo nas festas populares da Gafanha da Nazaré e terras vizinhas, sendo notório o apoio das populações, com aplausos que «nos entusiasmam a continuar». 


Helena Manuela evoca um convite da “SIC 10 horas”, onde apresentaram uma dança africana. Foram em autocarro cedido pela Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) e contaram com o acompanhamento do vereador da cultura da autarquia ilhavense, Paulo Costa. Esta exibição significou, realça a diretora, «o reconhecimento da importância do Grupo de Dança e o consequente apoio da câmara». 
Essa atuação na “SIC 10 horas” foi naturalmente apreciada pelo povo da nossa terra e o vereador Paulo Costa «incentivou-nos a avançar para a criação de uma instituição, nascendo desse desafio a associação cultural Grupo de Dança Pestinhas». Pestinhas porquê? «Porque — frisou Helena Manuela —, como as miúdas eram muito mexidas, começámos a tratá-las por pestinhas.»
Com a legalização do grupo, passaram a ensaiar no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré (CCGN), «onde permanecemos uns anitos», referiu a diretora. «Nessa altura, começámos a organizar saraus no próprio CCGN, que juntavam muita gente», disse.
Entretanto, o Grupo tornou-se mais conhecido, o que o levou a ser convidado por outras instituições do concelho de Ílhavo para atuar nas suas festas. E acrescentou: «Como estabelecemos protocolos com as nossas autarquias, estamos sempre disponíveis para colaborar com elas.» 
Por organização dos serviços da CMI, a diretora Helena informou que a autarquia sugeriu que o grupo se instalasse no Mercado da Gafanha da Nazaré, aproveitando espaços para ensaiar e preparar as suas participações em diversos eventos, nomeadamente, no Carnaval, Marchas Sanjoaninas, Desfiles de Chita e outros, alguns patrocinados por empresas. Sublinhe-se que o grupo já venceu duas vezes as Marchas Sanjoaninas, a última das quais no corrente ano.
Desde há anos que a Helena Manuela conta com a ajuda de sua filha Patrícia Queirós, dançarina, seu «braço direito», que assumiu a coreografia do Grupo Pestinhas, «as mais avançadas», ficando a fundadora com o setor da aprendizagem. A Patrícia é instrutora de Fitness e Zumba, entre outras danças.
Neste momento, a associação tem três grupos mais um 4.º de adultos, que ensaia apenas para participações em saraus. São 45 elementos no total, das mais variadas idades.
Sobre apoios, a diretora do grupo referiu os que vêm da CMI e da Junta de Freguesia, as comparticipações dos pais e rifas para angariação de fundos, em que toda a gente colabora.
Uma nova sede, em armazém cedido gentilmente à associação por Maria José Neves e Berta Maria Grave, filhas de José de Vagos, junto à escola da Cale da Vila, está a sofrer obras de adaptação e restauro, que mobilizam membros da associação e seus familiares. «Os pais até se sentem mais ocupados e mais alegres com o seu envolvimento nestas tarefas», disse.
No fundo, o Grupo Pestinhas continua a apostar «na formação e na ajuda à integração social de todos», assente numa perspetiva de «responsabilidade, sociabilidade, mas também cultural e ocupação de tempos livres».

Fernando Martins

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