Bolos doces com ingrediente secreto

Venda habitual aos missas
dos fins de semana 
nas igrejas da Gafanha da Nazaré


Manuel Sardo, Mariana Sardo e Milu


No domingo, 7 de fevereiro, na missa das 11h15, deparámos com pessoas amigas a vender bolos doces à porta da igreja matriz. Passámos por elas inúmeras vezes, mas pouco sabíamos das suas intenções e trabalhos. Desta vez, para matar a curiosidade, fomos ouvi-los. 
Manuel Sardo, sua esposa Mariana e Maria de Lurdes Sardo (Milu) lá estavam à porta da igreja a fazer o seu negócio, com a convicção de que haveria venda garantida. 
Manuel Sardo informa que o lucro da venda dos bolos se destina «às muitas despesas da nossa paróquia, com três templos para cuidar», para além dos múltiplos gastos com as diversas e constantes atividades.
A venda é feita nas missas dos fins de semana, tanto na matriz como nas igrejas da Chave e Cale da Vila, em alternância com os escuteiros, que também precisam de angarias fundos para as ações que desenvolvem e para a nova sede que vai ser construída.
A equipa dos bolos doces é constituída pelas pessoas já referidas e ainda pela Custódia Lopes e Pedro Fidalgo, o nosso dinâmico sacristão. É dele o forno para cozer os bolos e o trabalho de preparar a massa.
Segundo Manuel Sardo, confecionam semanalmente 130 bolos de meio quilo, procurando apresentá-los sempre fresquinhos. E salienta que, para além da farinha, «há ingredientes secretos, que dão aos bolos um sabor especial». Sublinha ainda que «não se trata dos habituais folares». 
Manuel Sardo adianta que este ano, para além das despesas normais próprias de uma comunidade como a nossa, «está em equação a pintura dos três templos». 
Não se julgue, porém, que para fazer bolos apenas necessitam de farinha e outros produtos, porque a lenha para aquecer o forno não é barata. Contudo, revelou que há pessoas que oferecem alguma, enquanto outros contribuem pagando farinha. 
Milu refere que tudo isto dá muito trabalho. «Temos de nos levantar muito cedo, aí pelas seis e meia da manhã, para acender o forno, reaquecendo-o as vezes que forem precisas, porque de cada fornada saem 30 bolos», adiantou. E acrescenta que aos sábados fazem duas ou três fornadas, repetindo ao domingo as tarefas.
Mariana Sardo lembra que o forno é reaquecido para nova fornada. «Temos de estar atentos para verificar quando é que o forno está no ponto», disse. E esclareceu: «Para sabermos se a temperatura é a ideal, atiramos farinha para o forno; se a farinha queimar depressa, o forno está demasiado quente e então temos de esperar que ele arrefeça um pouco.» 
Mariana ainda nos disse que para fazer bolos de qualidade é preciso ter «paciência, tempo e saber». E frisou que são bem-vindos colaboradores e ofertas para aquisição de tudo o que é necessário, porque a igreja não tem rendimentos para tantas despesas.
Os nossos entrevistados fizeram questão de louvar o empenho do Pedro Fidalgo, que disponibiliza o forno, amassa o pão e ajuda no que pode. Sem ele, tudo seria muito mais difícil. 

Fernando Martins

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