Artesanato: Hortência Margaça aposta no mundo infantil


Hortência Margaça, artesã da Gafanha da Nazaré, aposta no mundo infantil, seja para uso de crianças, seja para brincar ou decorar. Trabalha imenso, porque precisa de governar a vida. Não é pessoa acomodada. Um dia encheu-se de coragem e resolveu enfrentar as dificuldades que lhe surgiram no caminho. O artesanato criativo foi a sua opção.
Encontrámos a Hortência, mais conhecida por Batita entre familiares e amigos, numa exposição-feira de artesanato no Glicínias, em Aveiro, em hora de atendimento de clientes, que passaram, viram, pararam e compraram. Depois falámos com ela e compreendemos o seu entusiasmo pelo que faz e pelo que projeta fazer. Não revelou as suas ideias na íntegra. Contudo, percebemos que vai apostar em criações didáticas. O resto será segredo, por enquanto.
A Hortência começou a bordar aos seis anos e a seguir enfrentou desafios maiores, passando por pontos e mais pontos de costura, Arraiolos e a confeção de bonecas de todos os tamanhos e feitios, mas também para todos os gostos e preços. E de tal modo se tornou conhecida e apreciada nesta área, como em outras, que a Editorial Nascimento até a convidou para fazer uma edição de costura criativa, intitulada “Costura Bonecas 2”, na qual apresentou diversos modelos e moldes, com tudo exemplificado, passo a passo. Em março saiu outra revista, “Feltro”, com artes decorativas. Ambas completamente preenchidas com as suas criações.




A Hortência Margaça é artesã há dez anos, sendo esta a sua ocupação principal. E o fruto do seu trabalho sai para a rua regularmente, participando em feiras e exposições. «As feiras por ano são imensas e se S. Pedro ajudar são mesmo muitas; posso dizer que por mês tenho 7 dias de feiras de artesanato, às quais se juntam as anuais que são cerca de dez, em média de 10 a 12 dias cada uma», disse. Já esteve nos Açores, na ilha de São Miguel, no Pavilhão Portas do Mar de Ponta Delgada, numa feira organizada pela Associação de Artesãos daquela Região Autónoma. Como artesã certificada, participa em Aveiro, no 2.º sábado de cada mês, na feira “Artes no Canal”.
Olhando para a exposição, pudemos registar, para além das bonecas, fitas, colares, tapetes, letras em tecido e feltro, com as quais se compõem nomes, palavras e frases, ao gosto e motivação de quem as compra, entre outros trabalhos.
Para marcar presença nestas feiras, tem mesmo de puxar pela cabeça e dar ao dedo, que o que vimos exposto exige grande dedicação e entusiasmo, mas também muitas horas de labor.
A nossa entrevistada conta com alguns voluntários, pessoas amigas que gostam de a ajudar, mas de todos destaca a mãe, Lídia Margaça, que chega a acompanhá-la nas feiras mais perto de casa. O marido e o filho, de 13 anos, são presença regular no seu ateliê.
A Batita vai a diversas regiões do país, projetando as suas criações no estrangeiro, graças aos emigrantes que nos visitam e que posteriormente fazem as suas encomendas a partir dos países em que vivem.

Fernando Martins

NOTA: Texto preparado para o Timoneiro de maio.

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