Ria em festa com Senhora dos Navegantes — 2015

Nossa Senhora dos Navegantes

Como manda a tradição, realizou-se na Gafanha da Nazaré, em 20 de setembro, a festa em Honra de Nossa Senhora dos Navegantes, venerada há muito pelos que labutam nas ondas do mar e nas águas por vezes tumultuosas da laguna aveirense, mas também pelos seus familiares e amigos. Não haverá por estas bandas quem não tenha, direta ou indiretamente, alguém envolvido nas lides marítimas ou da ria. Daí o interesse natural por esta festa que, antigamente, se celebrava na segunda-feira depois da festa da Senhora da Saúde na Costa Nova, que ocorria no domingo.
Com a procissão lagunar, instituída em 1976 pelo saudoso Padre Miguel Lencastre (ver Postal Ilustrado na última página), os festejos saíram enriquecidos, atraindo, por isso, inúmeros devotos, curiosos e demais pessoas que apreciam a Ria engalanada com barcos e barquinhos enfeitados e cheios de gente de todas as idades. Este ano, com céu limpo e temperatura amena, sem grandes ventos e com muita alegria, o prazer da viagem que ligou o porto bacalhoeiro ao Forte da Barra saiu beneficiado. E a passagem por São Jacinto, que associa a Senhora das Areias, com devoção e espírito de fraterna amizade, à Senhora dos Navegantes, representa, indubitavelmente, uma mais-valia a preservar.
D. António Moiteiro dignou-se presidir ao grande dia de uma festa que nunca mais poderá sair do mapa e calendário do nosso povo e dos devotos da Senhora dos Navegantes, que se espalham um pouco por toda a parte, das Gafanhas a Vagos, Ílhavo, S. Jacinto, Aveiro e demais terras ribeirinhas. 
Eucaristia, música, foguetes, Festival de Folclore e o povo, sempre o povo, fazem desta festa um motivo de orgulho para todos os que a vivem e sentem como sua.
Incorporaram-se na procissão o Nosso Bispo, D. António Moiteiro, que presidiu, o nosso prior, Padre César Fernandes, os presidentes da Junta e da Câmara, Carlos Rocha e Fernando Caçoilo, respetivamente, diversas autoridades marítimas e portuárias, os ranchos folclóricos, a banda filarmónica e muito povo. Seguiram ainda, nos seus andores, Nossa Senhora da Nazaré, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora dos Aflitos e Santo Amaro, este último da Costa Nova. 
De louvar, sem dúvida, o trabalho do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, que a restaurou em 1998, mantendo a responsabilidade de tudo organizar, de parceria com a paróquia e outras entidades oficiais, cívicas e religiosas. 

Nossa Senhora conduz-nos ao encontro 
com Deus e com os irmãos

Antes da partida



Nossa Senhora dos Navegante, «que nos ajuda a navegar ao longo da vida», também nos convida ao «encontro com Deus e com os demais», afirmou o Bispo de Aveiro, D. António Moiteiro, na homilia da Eucaristia a que presidiu depois da procissão pela laguna aveirense. E acrescentou: «A nossa vida só tem sentido quando ela também for serviço aos irmãos.»
Referindo-se a Nossa Senhora, o Bispo de Aveiro disse que «Ela é a Mãe da Igreja, Ela é a Mãe de cada um de nós, a Mãe a quem recorremos nas aflições, nas dificuldades», garantindo  ainda que «é nos braços da Mãe que nos sentimos fortes». 
D. António realçou que essa Mãe, que é Maria, nos ama e ampara, sendo importante que sejamos bons filhos. «Um bom filho é aquele que ama verdadeiramente a sua Mãe e procura realizar aquilo que Lhe dá alegria, aquilo que Lhe dá consolação». 
O prelado aveirense salientou na homilia a pertinência de sermos verdadeiramente irmãos, em especial agora, «com refugiados, cada vez em maior número, fruto da guerra e de conflitos», à espera do nosso acolhimento fraterno. E afirmou que a Mãe de Deus continua a dizer-nos para «sermos irmãos e nos amarmos uns aos outros», formulando votos de que a nossa vida seja colocada «ao serviço dos outros». 
E concluiu a sua homilia com uma súplica: «Que a Mãe dos navegantes, a Mãe dos pescadores, venha em nossa ajuda e que nós sejamos verdadeiramente seus filhos.» 

Uma procissão com grande carga emocional

À espera no Forte


«Esta procissão tem para todos nós uma componente sentimentalista, decerto mais importante que a turística», afirmou o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Fernando Caçoilo, que seguiu no barco “Jesus nas Oliveiras”, com diversas autoridades e muito povo, tendo ao leme o mestre Adelino Palão, que assume essa responsabilidade desde a primeira hora, concretamente, desde 1998. 
O autarca ilhavense, filho de homem do mar, manifestou uma certa emoção quando evoca a importância desta manifestação de fé. «Todos temos pais e familiares que passaram pelo mar; foram homens ligados à pesca do bacalhau e a diversas atividades da ria e do mar», disse.
Adiantou que a Câmara Municipal se associa ano após ano ao Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, que desde 1998 organiza estas festividades em honra da Senhora dos Navegantes, porque «sentimos que esta procissão tem um valor emocional de extrema importância para a nossa zona, para as nossas Gafanhas e S. Salvador». 
Fernando Caçoilo não deixou de considerar a procissão pela ria como um evento de relevo, não só por revestir uma manifestação de fé, mas também «por ser um cartaz turístico». E mais: «Vemos a quantidade de gente que está à volta da ria, o que significa que estas pessoas têm como referência na sua vida a religião».
Ferreira da Silva, fundador e presidente da direção do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, lidera a equipa que tudo organiza para que os festejos decorram com ordem e segurança. E afiançou que esta tarefa lhe «dá grande prazer e algumas dores de cabeça». Há muita burocracia relacionada com as diversas entidades que superintendem na ria e no mar, e não só, mas felizmente «tudo acaba bem, quando corre bem, o que tem sido o caso». 
Ferreira da Silva realçou a colaboração empenhada do mestre Adelino Palão, que põe o seu barco, “Jesus nas Oliveiras”, à disposição para o transporte de Nossa Senhora dos Navegantes e convidados, desde a primeira hora desta procissão. «O mestre chegou a vir do Algarve, onde se encontrava a pescar, para participar na procissão», disse. Ainda lembrou a participação da Filarmónica Gafanhense e dos grupos intervenientes no Festival de Folclore, nomeadamente, Rancho Folclórico de Santa Maria de Airães e Ronda da Miadela, sendo anfitrião o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, 

Fernando Martins



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